Certa vez, um homem muito rico e muito ocupado caminhava pela praia para tentar aliviar a carga dos inúmeros e complexos problemas que moldavam a sua vida. De repente, ele deparou com um pescador deitado despreocupadamente junto de um barco, olhando o azul do céu. Indignado, deteve-se junto ao pescador e perguntou:
– Como você pode ficar deitado aí, por que não está pescando?
O pescador virou lentamente a cabeça na direção do homem e respondeu com outra pergunta.
– Por que você está tão irritado? Eu não estou pescando porque já pesquei o suficiente para o dia de hoje.
Inconformado, o homem insistiu:
– Se você estivesse com seu barco no mar, certamente traria mais peixes para vender ou estocar e poderia ganhar muito mais dinheiro. Com mais dinheiro, você compraria um barco melhor, mais moderno, com maior capacidade de navegação, e com ele teria uma pesca mais abundante e conseqüentemente mais dinheiro. Logo você poderia até ser dono de uma companhia pesqueira e ser um homem rico.
– E o que eu faria então? – perguntou o pescador.
– Você teria condições de gozar muito mais desta vida. Poderia comprar uma linda casa, automóvel do ano, roupas caras, viajar, namorar lindas mulheres. Enfim, tudo o que o dinheiro pode oferecer.
– Mas eu sou feliz assim, vivendo cada momento como único e precioso; vivo o presente e o que tenho basta para suprir minhas necessidades. Assim consigo apreciar a vida estando atento a tudo o que me acontece.
– Você se contenta com pouco. É preciso aproveitar mais a vida!
Olhando o interlocutor com um leve sorriso desenhado no rosto, o pescador perguntou:
– O que você acha que eu estou fazendo agora?
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Eis um conto popular, de autoria desconhecida e que vi no livro "Aulas de Transformação", de Marilu Martinelli - Editora Peirópolis (1996).
O que nos faz sentir contentamento? O que é aproveitar a Vida? Do que podemos abrir mão para simplificar o viver? Quais os valores em que alicerçamos o conceito de ser feliz nas experiências da Vida?
